25 anos sem Jorge Amado: legado ganha celebração na Flipelô
Há 25 anos, o Brasil perdia Jorge Amado (1912-2001). Na 10ª edição da Flipelô, uma mesa celebrou os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, com a presença da filha do escritor, Paloma Jorge Amado.
25 anos sem Jorge Amado: legado do autor ganha celebração na Flipelô
O Solar, antigo cortiço no Pelourinho, guarda ainda o cheiro de tinta e de papel. Foi ali, entre aquelas paredes, que Jorge Amado escreveu Suor. Vinte e cinco anos depois de sua partida, a 10ª edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) celebrou não apenas a memória do escritor, mas os 40 anos da fundação que leva seu nome.
Há 25 anos, o Brasil perdia Jorge Amado (1912-2001), o contador de histórias que transformou as ruas, os aromas e a alma baiana em literatura universal. Autor de livros como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tenda dos Milagres, Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Tereza Batista Cansada de Guerra, Jorge Amado é a tradução da Bahia. A celebração na Flipelô reuniu historiadores, familiares e admiradores para discutir o que ele deixou para o país.
Uma selfie de Salvador pelas palavras
"É como se Jorge Amado fizesse selfies de Salvador", comparou o historiador Rafael Dantas. Em entrevista à Agência Brasil, Dantas reforçou que Jorge Amado foi uma espécie de "tradutor desse modo de viver da Bahia e do Brasil ao longo do tempo". A fala dele veio logo após participar de uma mesa que celebrou os 40 anos de criação da Fundação Casa de Jorge Amado, durante a 10ª edição da Flipelô.
"Se naquela época ele não tinha um celular para fazer uma selfie, ele conseguiu fazer uma selfie ou fazer um registro através de sua escrita, através de sua literatura. E é justamente isso que é tão especial no trabalho do Jorge Amado. Repito, Jorge Amado é um dos principais nomes para a gente compreender o Brasil ao longo desse tempo", disse ele.
A Bahia nas ruas, comidas e costumes
Nas obras de Amado, a Bahia é descrita não só por meio de suas ruas, comidas e casarios, mas também por seu povo e seus costumes. Toda sua obra promove também uma reflexão sobre os problemas sociais brasileiros. O historiador explica que o escritor capturou um momento de transição social.
"Jorge vai encontrar um momento de transição do ponto de vista social. Ele retrata uma sociedade baiana, tanto do sul como de Salvador, com resquícios de um passado que era o presente naquele período, com tensões raciais, desigualdades, questões de trabalho, questão de gênero. Ele é um homem do seu tempo escrevendo sobre o seu tempo e colocando também as suas projeções enquanto artista na sua literatura, na sua escrita", afirmou Dantas.
O contraponto às elites
Dantas explicou que Jorge foi uma figura oposta a uma perspectiva que costumava ser ditada pelas elites. "Ele foi buscar o social, o contorno que ele viveu, inclusive aqui, nesse prédio que ele morou, que é o Solar, que é o antigo cortiço em que ele escreveu Suor, para falar sobre a Bahia." Essa escolha, de olhar para baixo e para os lados, marcou sua obra de forma definitiva.
A filha e a saudade de 25 anos
Presente à mesa que debateu os 40 anos de criação da fundação que leva o nome de seu pai, Paloma Jorge Amado falou que seu pai continua muito presente em sua vida. "São 25 anos da morte do meu pai hoje e são 25 anos em que eu sinto tristeza a cada dia", disse ela à reportagem. Para Paloma, seu pai deixou ao país um imenso "legado de humanismo, de igualdade e de fim para os preconceitos". "E é por isso que a gente luta", reforçou.
A fundação que guarda o legado
Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, lembrou que os 25 anos de morte de Jorge Amado coincidem com os 40 anos de existência da fundação que guarda o seu legado. "Todo esse acervo de Jorge Amado, os livros e tudo o que ele contou sobre o nosso povo e sobre a Bahia para o mundo, é fundamental para quem quiser", disse ela.
"Aqui na fundação a gente recebe muitos visitantes que dizem assim: 'Eu vim para a Bahia porque eu li Jubiabá'. Então, eu acho que ele ainda continua sendo nosso porta-voz para o mundo afora. Ele realmente soube contar sobre a nossa cultura e as nossas tradições de uma forma muito romanceada, muito agradável de ler. Esse é um legado que tem que ser levado adiante para as gerações que não tiveram a oportunidade de conviver com ele ainda em vida, produzindo."
Atualidade de quem escreveu há 80 anos
Para o também escritor Domingos Ailton, secretário de Cultura e Turismo de Jequié (BA) e autor do livro Anésia Cauaçu, que aborda a história da primeira mulher que ingressou no cangaço e viveu no sertão de Jequié, Jorge Amado segue sendo muito atual. "Jorge Amado é minha maior inspiração como escritor e um autor que teve uma importância muito grande para divulgar a cultura popular da Bahia e para divulgar a realidade da Bahia, tanto que seus livros, que foram escritos há 80 anos atrás, continuam bastante atuais", disse.
A Flipelô e a expectativa de público
Há dez anos, em celebração ao aniversário de nascimento de Jorge Amado (10 de agosto), é realizada a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). A edição deste ano teve início na noite de ontem (4) e será realizada até o próximo domingo (9). A expectativa dos organizadores é que cerca de 250 mil pessoas transitem pelas ruas do Pelourinho para curtir a programação do evento, considerada a maior festa literária da Bahia. Mais informações sobre a programação da Flipelô podem ser acessadas por meio do site oficial.
- A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.
Perguntas Frequentes
Quando acontece a Flipelô 2026?
A edição deste ano teve início na noite do dia 4 e será realizada até o próximo domingo, dia 9. A expectativa é que cerca de 250 mil pessoas passem pelas ruas do Pelourinho.
O que celebra a mesa sobre os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado?
A mesa celebrou os 40 anos de criação da fundação que guarda o acervo do escritor. A data coincide com os 25 anos da morte de Jorge Amado.
Quem participou da homenagem a Jorge Amado na Flipelô?
Participaram da mesa o historiador Rafael Dantas, a filha do escritor, Paloma Jorge Amado, a presidente da fundação, Angela Fraga, e o escritor Domingos Ailton.
Qual livro de Jorge Amado foi escrito no Solar?
Foi o romance Suor. O Solar é o antigo cortiço em que o escritor morou e que hoje abriga parte da história da fundação.