Brasileiro gosta de ler, mas acesso é difícil, diz Itamar Vieira
Para Itamar Vieira Junior, não é verdade que o brasileiro não gosta de ler. Na Flipelô, o escritor destacou a desigualdade de acesso e defendeu bibliotecas e políticas públicas. Dados mostram que 47% da população se declara leitora, mas 53% não leram livros recentemente.
Brasileiro gosta de ler, mas tem dificuldade de acesso, diz escritor na Flipelô
A plateia lotou o Largo do Pelourinho na noite de ontem (7) para ouvir Itamar Vieira Junior. O escritor veio para a Festa Literária Internacional do Pelourinho, a Flipelô, e fez uma declaração que arrancou aplausos: o brasileiro gosta de ler, mas encontra dificuldades de acesso para fazê-lo. A fala contraria a ideia de que o país não tem leitores.
Resposta direta: O brasileiro gosta de ler, mas tem dificuldade de acesso, diz o escritor Itamar Vieira Junior. Para ele, o problema não é falta de interesse, e sim a desigualdade. Dados da pesquisa Retratos da Leitura, do Instituto Pró-Livro, mostram que 47% da população se declara leitora, enquanto 53% não leram nem parte de um livro nos três meses anteriores.
A fala do escritor: não é falta de interesse, é desigualdade de acesso
Itamar Vieira Junior foi direto ao ponto. "Não é verdadeira a afirmação de que brasileiro não gosta de ler", disse. Em sua visão, em toda parte do Brasil, a quantidade de pessoas interessadas em livros é imensa. "Isso é um bom retrato para aqueles que dizem: 'Ah, o brasileiro não gosta de ler'. Isso não é verdade. O que existe é desigualdade de acesso", afirmou.
A declaração veio durante a Flipelô, evento que reúne escritores e leitores no centro histórico de Salvador. O escritor falou para uma plateia que lotou o Pelourinho, o que, para ele, já é um sinal do interesse da população pela leitura.
Quem é Itamar Vieira Junior e a Trilogia da Terra
O escritor é autor da Trilogia da Terra, que começou com o sucesso Torto Arado, passou por Salvar o Fogo e agora é concluída com seu atual livro, Coração sem Medo. A obra é um retrato da vida no campo e das desigualdades brasileiras, temas que também aparecem em sua fala sobre acesso.
Em sua juventude, Itamar frequentava muitas bibliotecas públicas de Salvador. Ele atribui a essas bibliotecas parte de sua formação como leitor. "Se não houvesse essas bibliotecas, certamente eu teria perdido muito das leituras que eu fiz ali na minha adolescência, no começo da vida adulta", ressaltou.
O papel das bibliotecas públicas no acesso à leitura
Para o escritor, é preciso ampliar o número de bibliotecas no país. "É um país profundamente desigual e o livro não é barato. E às vezes não há uma biblioteca pública no bairro onde a gente mora lá na periferia", criticou. Ele defendeu que o ideal seria ter uma biblioteca em cada bairro.
A fala ganha peso quando se olha para os números. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou em 2024 que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, o equivalente a cerca de 93,4 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, 53% não leram nem parte de um livro nos três meses anteriores, e o país perdeu 6,7 milhões de leitores em quatro anos.
Sinais de recuperação no mercado editorial
Apesar dos números de leitores, o mercado editorial tem visto sinais de recuperação. O Panorama do Consumo de Livros no Brasil, da Câmara Brasileira do Livro com a Nielsen BookData, apontou que 18% da população adulta comprou ao menos um livro em 2025, uma alta de 2 pontos percentuais em relação a 2024. Isso representou cerca de 3 milhões de novos consumidores.
O dado sugere que, quando há acesso, o interesse aparece. Ainda assim, Itamar Vieira Junior defende que é preciso ir além do mercado. Para ele, políticas públicas são essenciais para garantir que mais pessoas cheguem aos livros.
MEC Livros: a plataforma que reduz a desigualdade
Um dos exemplos citados pelo escritor é o MEC Livros, uma plataforma pública digital que reúne e disponibiliza gratuitamente obras literárias em formato digital, por meio de empréstimo. O próprio Torto Arado é o livro mais emprestado da plataforma.
"Esse ano veio um projeto muito bonito que é o MEC Livros. E aí não importa se você está lá numa comunidade isolada no Amazonas ou se você está numa grande cidade como Salvador ou São Paulo, mas você tem o livro ali, ao alcance, de forma gratuita", afirmou. Para ele, o projeto é um instrumento para reduzir e mitigar a desigualdade de acesso.
A plataforma funciona como uma biblioteca digital, sem custo para o usuário. Isso resolve parte do problema do preço do livro, que, como lembrou o escritor, não é barato no Brasil.
O que os números dizem sobre o leitor brasileiro
Os dados da pesquisa Retratos da Leitura ajudam a entender o cenário. De um lado, 47% da população se declara leitora, um número expressivo. De outro, 53% não leram nem parte de um livro em três meses, o que indica que a dificuldade de acesso é real.
A perda de 6,7 milhões de leitores em quatro anos também chama atenção. Mas o crescimento de 2 pontos percentuais no consumo de livros em 2025 mostra que o interesse pode se converter em compra quando há condições.
Como aumentar o número de leitores no Brasil
Itamar Vieira Junior aponta um caminho claro: políticas públicas. "Para aumentar o número de leitores no país é preciso criar políticas públicas para garantir o acesso das pessoas aos livros", disse. Isso inclui bibliotecas em todos os bairros e plataformas digitais como o MEC Livros.
O escritor encerrou sua fala com uma convicção: "Mas que o brasileiro gosta de história e gosta de ler, nós sabemos. Gosta muito, desde sempre". A frase resume o que ele defendeu ao longo da noite: o interesse existe, falta acesso.
Para quem quer entender a cena literária brasileira, a Flipelô é um bom ponto de partida. Ver de perto a plateia lotada no Pelourinho é uma prova de que o brasileiro quer ler. O desafio é fazer o livro chegar até ele.
como funciona o MEC Livros e como acessar a plataforma a trajetória de Itamar Vieira Junior e a Trilogia da Terra dados completos da pesquisa Retratos da Leitura 2024
Perguntas Frequentes
É verdade que o brasileiro não gosta de ler?
Para o escritor Itamar Vieira Junior, não. Ele afirma que o brasileiro gosta de ler, mas encontra dificuldades de acesso. Dados da pesquisa Retratos da Leitura mostram que 47% da população se declara leitora.
O que é a pesquisa Retratos da Leitura?
É um levantamento do Instituto Pró-Livro que mede o comportamento do leitor brasileiro. Em 2024, apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, cerca de 93,4 milhões de pessoas.
O que é o MEC Livros?
É uma plataforma pública digital que disponibiliza obras literárias gratuitamente em formato digital, por meio de empréstimo. O livro Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, é o mais emprestado da plataforma.
O mercado editorial brasileiro está em recuperação?
Segundo o Panorama do Consumo de Livros no Brasil, 18% da população adulta comprou ao menos um livro em 2025, alta de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores.
Por que o acesso aos livros é desigual no Brasil?
Para Itamar Vieira Junior, o livro não é barato e faltam bibliotecas públicas em muitos bairros, especialmente na periferia. Ele defende políticas públicas para ampliar o acesso, como bibliotecas em cada bairro e plataformas digitais gratuitas.