Flipelô começa em Salvador com música, poesia e grande participação
A décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) começou em Salvador com música, poesia e grande participação. Show de Belô Velloso, homenagem a Myriam Fraga e lançamentos marcam a abertura no centro histórico.
Flipelô começa em Salvador com música, poesia e grande participação
A décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) abriu as portas na noite dessa quarta-feira (5), no centro histórico de Salvador (BA), com um público numeroso, música e poesia nas ruas. A cerimônia de abertura reuniu escritores, moradores e visitantes em torno de uma programação que celebra a literatura baiana e nacional até domingo (9).
Na abertura, o palco recebeu a cantora e compositora Belô Velloso, que comandou um show musical, e uma intervenção teatral que apresentou ao público os versos da poetisa Myriam Fraga (1937-2016), a grande homenageada desta edição. A escolha não é casual: Myriam Fraga idealizou a própria festa, criada para preservar a memória do escritor Jorge Amado (1912-2001) e valorizar a cultura e a arte da Bahia, além de estimular a leitura, principalmente entre os jovens.
Flipelô 2026: o que você precisa saber sobre a décima edição
A Flipelô é o maior evento literário da Bahia e acontece anualmente no Pelourinho, um dos cartões-postais de Salvador. Inspirada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a festa é realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado. Neste ano, o evento ganha contornos especiais: celebra os 10 anos de sua própria existência, os 25 anos da morte de Jorge Amado (1912-2001) e os 40 anos de criação da fundação que leva o nome do escritor.
A programação segue até domingo (9) e deve reunir mais de 500 escritores brasileiros e nove estrangeiros. Entre os nomes confirmados estão Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira, Milton Hatoum, Tracy Mann e Pablo Fidalgo. A expectativa é de que o Pelourinho se transforme, por cinco dias, em um grande ponto de encontro entre leitores, autores e editoras.
Para quem quer acompanhar a programação completa, o site oficial da festa reúne todas as informações sobre mesas, lançamentos e atividades culturais.
Myriam Fraga, a homenageada que idealizou a festa
A décima edição da Flipelô presta homenagem a Myriam Fraga, poetisa baiana nascida em 1937 e falecida em 2016. Ela não é apenas uma das grandes vozes da poesia brasileira: foi a idealizadora da festa, que surgiu com o objetivo de preservar a memória de Jorge Amado e fortalecer a cultura baiana. A intervenção teatral da abertura, que apresentou seus versos ao público, foi uma forma de reafirmar o lugar central que ela ocupa na história do evento.
A homenagem ganha ainda mais sentido quando se lembra que a Flipelô também celebra, neste ano, os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, instituição criada em 1986 e que, ao longo das décadas, se tornou referência na guarda do acervo do escritor e na promoção da literatura baiana.
Escritores e lançamentos marcam a abertura
Entre o público que compareceu à abertura, a presença de escritores era marcante. A baiana Maria do Carmo, da cidade de Mutuípe (BA), veio pela primeira vez à Flipelô para lançar seu mais novo livro, "Trilhas de Alforria", que trata do combate ao racismo. Em entrevista à Agência Brasil, ela celebrou as feiras e festas literárias que se espalham pelo país e que, como a Flipelô, se tornam espaço de encontro cultural e de resistência.
"Feira literária, para mim, é espaço de representatividade cultural", disse Maria do Carmo. "Vejo a Flipelô com muita alegria porque a população tem acesso a ela sem custo nenhum. É também uma mistura de culturas, não só literária, mas de música, dança, representação teatral. Isso engrandece ainda mais a literatura porque a literatura justamente é feita desse misto de vivências."
Ao lado dela, também segurando um livro, estava a escritora baiana Magnólia Gomes de Oliveira, autora de "Destinos Entrelaçados", que será lançado na Casa Motiva, instalada no Vale do Dendê. Magnólia contou à reportagem que a história se passa em Feira de Santana, onde duas pessoas se encontram ao acaso, se envolvem em uma paixão intensa, mas enfrentam impedimentos para ficarem juntas.
O papel dos coletivos literários na Flipelô
Magnólia é fundadora do coletivo Autores da Resistência, que pretende difundir a literatura na região do Recôncavo Baiano, e do Passeio Literário, grupo formado nas redes sociais. Para ela, que acompanha a Flipelô há alguns anos, participar de um evento como este é fundamental para incentivar a leitura.
"Esse evento é maravilhoso e muito importante, inclusive, para o incentivo à leitura, que é o que nós trabalhamos no nosso grupo dos escritores Autores da Resistência. Queremos transformar o Brasil em um país de leitores", afirmou. "A Flipelô ajuda muito a levar a literatura a todas as pessoas."
A fala de Magnólia ecoa o espírito da festa, que nasceu para democratizar o acesso ao livro e à cultura. A entrada gratuita, destacada por Maria do Carmo, é um dos pilares desse projeto.
Lançamento no Pelourinho: "Anésia Cauaçu" e a história do cangaço
Outro escritor que vai lançar seu livro na festa é Domingos Ailton, secretário de Cultura e Turismo de Jequié (BA). Autor de "Anésia Cauaçu", obra que aborda a história da primeira mulher que ingressou no cangaço e viveu no sertão de Jequié, ele também é responsável pela realização da Felisquié, a Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, que neste ano completa 10 anos e homenageia o centenário do geógrafo Milton Santos.
"A literatura é a essência da vida. Cada livro representa um episódio da vida, não é? Sem a literatura, a vida perde o sentido. Desde o tempo das narrativas orais, que depois se tornaram livros, a gente não pode pensar em falar, escrever, pensar ou refletir sem a literatura", ressaltou Domingos Ailton.
A presença de um gestor público de cultura como autor reforça o papel da Flipelô como vitrine para escritores de diversas regiões da Bahia, não apenas da capital.
Flipelô e a memória de Jorge Amado: 25 anos de legado
A décima edição da Flipelô ocorre em um momento de celebração da memória de Jorge Amado, um dos mais importantes escritores brasileiros. Nascido em 1912 e falecido em 2001, ele completa 25 anos de morte em 2026, e a festa criada em sua homenagem aproveita a ocasião para reafirmar a importância de sua obra.
A Fundação Casa de Jorge Amado, que realiza a Flipelô anualmente, foi criada há 40 anos com a missão de preservar o legado do escritor. A festa, idealizada por Myriam Fraga, é a expressão mais visível desse trabalho, transformando o Pelourinho em um território de literatura, música e arte a cada edição.
Como aproveitar a Flipelô: dicas para o público
Para quem vai ao Pelourinho nos próximos dias, a dica é chegar cedo e aproveitar a programação gratuita, que inclui mesas de debate, lançamentos e apresentações culturais. A festa é um espaço de encontro, e a orientação é circular pelas ruas do centro histórico para descobrir as diversas atividades que acontecem simultaneamente.
A programação completa está no site oficial, com horários e locais de cada atividade. Vale também acompanhar as redes sociais da festa para atualizações de última hora.
Perguntas Frequentes
Quando acontece a Flipelô 2026?
A Flipelô 2026 começou na quarta-feira (5) e segue até domingo (9), no centro histórico de Salvador (BA).
Quem é a homenageada da Flipelô 2026?
A grande homenageada é a poetisa Myriam Fraga (1937-2016), idealizadora da festa. Ela é lembrada por sua obra poética e por seu papel na criação do evento.
Quantos escritores participam da Flipelô 2026?
A festa deve reunir mais de 500 escritores brasileiros e nove estrangeiros, entre eles Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira, Milton Hatoum, Tracy Mann e Pablo Fidalgo.
A Flipelô é gratuita?
Sim, a população tem acesso à festa sem custo nenhum, como destacou a escritora Maria do Carmo durante a abertura.
A Flipelô homenageia Jorge Amado?
Sim, a festa é inspirada na Flip de Paraty e foi criada para preservar a memória de Jorge Amado. Em 2026, celebra os 25 anos de sua morte e os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado.
- A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.