Mercedes Sosa: evento no Rio celebra legado da "Voz da América Latina"
O Rio de Janeiro sedia um evento em homenagem a Mercedes Sosa, a "Voz da América Latina". A programação inclui shows, debates e exposições que revisitam a trajetória da cantora argentina, ícone da música popular e da resistência política no continente.
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em uma noite de outono de 2025, recebeu um público que não cabia nas poltronas. Não era um espetáculo qualquer: era a abertura de um evento que celebrava Mercedes Sosa, a "Voz da América Latina". Aos 90 anos de seu nascimento, ela nasceu em 9 de julho de 1935, em San Miguel de Tucumán, a cidade escolheu revisitar sua obra com a reverência que ela merece. O evento no Rio celebra legado de Mercedes Sosa com uma programação que mescla shows, debates e exposições, espalhados por salas de concerto e centros culturais cariocas.
O evento no Rio celebra legado de Mercedes Sosa, a "Voz da América Latina", com uma série de atividades culturais. A programação inclui apresentações musicais, mesas-redondas sobre sua influência política e artística, e uma exposição com objetos pessoais da cantora. A homenagem ocorre em múltiplos espaços da cidade.
A trajetória de Mercedes Sosa: da província ao continente
Mercedes Sosa não nasceu artista; tornou-se uma. Filha de uma família humilde de Tucumán, começou a cantar ainda adolescente em festas escolares e programas de rádio locais. Em 1965, gravou seu primeiro disco, "Canciones con fundamento", que já trazia a marca de sua voz grave e a escolha por compositores latino-americanos. Mas foi em 1967, no Festival de Cosquín, que ela se apresentou pela primeira vez para um grande público e foi aplaudida de pé. A partir dali, sua carreira ganhou o continente.
A voz como instrumento político
O que diferencia Mercedes Sosa de outras cantoras de sua geração é a forma como sua voz se tornou um instrumento político. Nos anos 1970, durante a ditadura militar argentina, ela foi perseguida, exilada e teve seus discos proibidos. Mesmo assim, seguiu cantando. Sua interpretação de "Gracias a la Vida", de Violeta Parra, tornou-se um hino de resistência. Não por acaso, o evento no Rio inclui uma mesa-redonda intitulada "Cantar é resistir", que discute o papel do artista em tempos de censura.
A programação do evento no Rio
A homenagem a Mercedes Sosa acontece entre os dias 15 e 20 de outubro de 2025, em três endereços: o Teatro Municipal, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e a Fundação Progresso. Cada espaço recebe uma faceta diferente do legado da cantora.
Shows e apresentações musicais
No Teatro Municipal, a cantora Maria Gadú interpreta um repertório que cruza Mercedes Sosa com compositores brasileiros como Caetano Veloso e Milton Nascimento, ambos amigos pessoais da argentina. A escolha não é aleatória: Mercedes gravou com Caetano a canção "Tonada de luna llena" e com Milton, "Canción del elegido". A apresentação tem entrada franca, com retirada de ingressos uma hora antes.
Exposição de objetos pessoais
No CCBB, uma exposição reúne vestidos de show, discos de vinil originais e cartas trocadas com artistas como Pablo Milanés e Chico Buarque. Um dos destaques é o poncho que ela usou no histórico show no estádio Obras Sanitarias, em Buenos Aires, em 1982, quando retornou do exílio. A curadoria é do pesquisador argentino Juan Pablo Suárez.
Debates sobre o legado
Na Fundação Progresso, ocorrem debates sobre a influência de Mercedes Sosa na música brasileira e na luta por direitos humanos. Participam a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz e o músico Zé Renato. As mesas são abertas ao público, com lotação limitada.
O contexto histórico: Mercedes Sosa e o Brasil
A relação de Mercedes Sosa com o Brasil foi intensa. Ela se apresentou diversas vezes no país, especialmente nos anos 1980 e 1990. Gravou com artistas brasileiros e incorporou ao seu repertório canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Em 1995, recebeu o título de Cidadã Honorária do Rio de Janeiro, em reconhecimento à sua contribuição cultural. Esse vínculo afetivo explica por que o Rio foi escolhido para sediar o evento.
A influência na música popular brasileira
Cantores como Maria Bethânia e Gal Costa sempre citaram Mercedes Sosa como referência. Bethânia, em entrevista de 2003, disse que "Mercedes cantava como quem reza". A influência é perceptível na escolha de repertório e na postura cênica: ambas privilegiavam a canção em detrimento do espetáculo visual.
Como participar do evento
A programação completa está disponível no site da Prefeitura do Rio de Janeiro. As inscrições para os debates são gratuitas e devem ser feitas antecipadamente. Os shows têm entrada franca, mas sujeita à lotação dos espaços. Recomenda-se chegar com pelo menos 30 minutos de antecedência.
Perguntas Frequentes
Quando acontece o evento sobre Mercedes Sosa no Rio?
O evento ocorre entre os dias 15 e 20 de outubro de 2025, em três espaços culturais do Rio de Janeiro.
Quem são os artistas confirmados?
A cantora Maria Gadú é a principal atração musical, ao lado de participações de músicos locais. Os debates contam com Lilia Moritz Schwarcz e Zé Renato.
O evento é gratuito?
Sim, todas as atividades são gratuitas. Os ingressos para os shows devem ser retirados uma hora antes, e as inscrições para os debates são feitas online.
Onde acontece a exposição sobre Mercedes Sosa?
A exposição com objetos pessoais da cantora está no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no centro do Rio.
Por que o Rio de Janeiro foi escolhido para o evento?
Mercedes Sosa tinha forte vínculo com o Brasil e recebeu o título de Cidadã Honorária do Rio de Janeiro em 1995. A cidade abriga um público fiel à sua obra.
Mercedes Sosa: discografia comentada A relação de Mercedes Sosa com a música brasileira