Músicos paraenses celebram ritmo amazônico siriá no Rio: veja programação
Músicos paraenses desembarcam no Rio de Janeiro para celebrar o siriá, ritmo amazônico de raiz. O evento reúne gerações e conecta a tradição do Pará à cena carioca. Veja a programação e entenda o que torna o siriá único no panorama musical brasileiro.
Músicos paraenses celebram ritmo amazônico siriá no Rio
Uma comitiva de músicos paraenses desembarca no Rio de Janeiro para celebrar o siriá, ritmo de tradição amazônica que remonta ao século XIX. O evento, que ocorre entre os dias 20 e 25 de junho, reúne gerações de artistas em shows, oficinas e rodas de conversa. Músicos paraenses celebram ritmo amazônico siriá no Rio com uma programação que mescla o tradicional e o contemporâneo, conectando a cultura do Pará à cena carioca.
Músicos paraenses celebram ritmo amazônico siriá no Rio em uma série de apresentações que incluem desde grupos de carimbó e siriá de raiz até experimentações com jazz e eletrônica. O encontro é uma oportunidade de ouvir, ao vivo, a sonoridade do siriá, que se caracteriza pelo andamento sincopado e pela percussão marcante, com destaque para o tambor de couro e a cuíca.
O siriá: um ritmo de festa e resistência
O siriá é um gênero musical e dança típicos do Pará, especialmente do nordeste do estado, como em Salinópolis e Marapanim. Diferente do carimbó, mais conhecido nacionalmente, o siriá tem uma pulsação mais lenta e um balanço que lembra a cadência do rio. A letra fala de amor, natureza e cotidiano ribeirinho. Para quem já frequentou festas de aparelhagem no interior paraense, o siriá é a trilha sonora das noites de lua cheia.
A tradição oral do siriá foi transmitida por gerações de mestres, como Mestre Damasceno, que aos 78 anos ainda comanda rodas em Marapanim. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o siriá é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Pará desde 2018. Esse reconhecimento oficial garante políticas de salvaguarda e difusão do ritmo.
A programação no Rio: shows, oficinas e debates
A programação carioca foi organizada pelo Centro de Referência da Música Paraense, em parceria com a Fundação Nacional de Artes (Funarte). As atividades ocupam o Teatro Glauce Rocha, no Centro do Rio, e a Praça Mauá, na Zona Portuária. Músicos paraenses celebram ritmo amazônico siriá no Rio com uma agenda que vai de quinta a terça-feira.
Destaques da agenda
- Quinta (20/06), 19h, Abertura com Dona Onete: a rainha do carimbó chama convidados para um show que mescla siriá, carimbó e brega. Ingressos gratuitos, retirados na bilheteria.
- Sexta (21/06), 20h, Roda de siriá com Mestre Damasceno e Grupo Cupuaçu: o mestre paraense comanda uma roda aberta, seguida de oficina de percussão. Participação do músico carioca Marcos Sacramento.
- Sábado (22/06), 16h, Debate "Siriá, carimbó e identidade amazônica": com a etnomusicóloga Izabela Oliveira (UFRJ) e o músico Pio Lobato. Mediação da jornalista Cláudia Leão.
- Domingo (23/06), 11h, Oficina de dança de siriá: com a coreógrafa paraense Nazaré do Carmo. Vagas limitadas, inscrições pelo site do evento.
- Segunda (24/06), 19h, Show "Siriá Elétrico": banda formada por jovens músicos paraenses e cariocas que misturam guitarra e sintetizadores ao ritmo tradicional.
- Terça (25/06), 18h, Encerramento na Praça Mauá: roda de siriá aberta ao público, com participação de todos os artistas convidados.
Conexão com o cinema e a literatura
O siriá também dialoga com outras linguagens. O cineasta paraense Lírio Ferreira, que dirigiu "O Som ao Redor" (2013), já declarou em entrevistas que o ritmo influenciou a trilha sonora de seus filmes. A escritora e compositora paraense Paola de Castro, autora do romance "A Última Canção do Siriá" (2022), participa de uma leitura dramática no sábado à tarde.
Essa interseção entre música, cinema e literatura mostra como o siriá não é apenas um ritmo de festa, mas uma expressão cultural que alimenta a criação contemporânea. Para quem acompanha o cinema brasileiro, o siriá está presente em obras como "Açúcar" (2014), de Renato Barbieri, e "Marajó" (2018), de Jorge Bodanzky.
Por que o siriá importa hoje
Em um momento em que a música brasileira busca raízes, o siriá oferece uma sonoridade original, que não se confunde com outros gêneros amazônicos. Músicos paraenses celebram ritmo amazônico siriá no Rio como forma de afirmar a identidade cultural do Pará e combater o apagamento histórico das culturas do Norte.
Segundo o IBGE, a região Norte concentra cerca de 8% da população brasileira, mas sua produção cultural ainda é sub-representada nos grandes centros. Eventos como este ajudam a equilibrar essa balança.
Perguntas Frequentes
O que é o siriá?
O siriá é um gênero musical e dança típicos do Pará, caracterizado pelo andamento sincopado e pela percussão com tambor de couro e cuíca. É reconhecido como patrimônio cultural imaterial do estado desde 2018.
Quem são os músicos paraenses confirmados no evento?
Entre os confirmados estão Dona Onete, Mestre Damasceno, o Grupo Cupuaçu, Nazaré do Carmo e a banda Siriá Elétrico. A programação completa está disponível no site do Centro de Referência da Música Paraense.
O evento é gratuito?
Sim, a maioria das atividades é gratuita. Os ingressos para os shows no Teatro Glauce Rocha são distribuídos na bilheteria. A oficina de dança exige inscrição prévia.
Onde ocorre o evento no Rio?
As atividades principais acontecem no Teatro Glauce Rocha (Centro) e na Praça Mauá (Zona Portuária). A roda de encerramento será ao ar livre.
Como o siriá se diferencia do carimbó?
O siriá tem andamento mais lento e um balanço mais cadenciado que o carimbó. Enquanto o carimbó é mais acelerado e dançado em pares soltos, o siriá tem uma coreografia mais coletiva e gingada.
Há registros audiovisuais do evento?
Sim, o evento será gravado e transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da Funarte. Um documentário sobre a comitiva paraense está em produção, com previsão de lançamento em 2027.