Redes sociais ajudam a despertar interesse por livros, diz escritora
Em Salvador, a escritora Carla Madeira celebrou o crescimento da leitura no Brasil, impulsionado por redes sociais e clubes de livros, mas alertou: o brasileiro ainda lê pouco.
Redes sociais ajudam a despertar interesse por livros, diz escritora
A escritora mineira Carla Madeira, autora de sucessos como Tudo é Rio, A Natureza da Mordida e Véspera, esteve em Salvador na noite deste sábado (8) para a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Diante de um grande público no Largo do Pelourinho, ela celebrou o fato de mais brasileiros estarem lendo e comentando sobre livros, principalmente por meio das redes sociais e clubes de leitura.
Segundo ela, o fenômeno reflete uma descoberta: "As pessoas estão descobrindo que é legal conversar sobre o que elas leem, concordar, discordar, discutir, entrar com outras vozes, cruzar livros, cruzar informações, criticar, aplaudir, está tudo valendo". Para a escritora, isso é um exercício de troca que amplia a consciência.
O papel das redes sociais e clubes de leitura
Carla Madeira vê a ampliação dos clubes de livros e festivais literários como um motor para o interesse pela leitura. "Isso está sendo festejado, está sendo ampliado. E as redes sociais têm um papel superimportante nisso", completou.
Apesar do avanço, brasileiro ainda lê pouco
Apesar do otimismo, a escritora pondera: em um país com 220 milhões de pessoas, o brasileiro ainda lê pouco. "Quando se confrontam os números do mercado editorial a esse dado demográfico, não há como negar que o brasileiro lê pouco", afirmou, citando questões que vão da educação formal ao acesso ao livro.
Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, cerca de 93,4 milhões de pessoas. Mas 53% não haviam lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores.
Novo livro: Quando
Durante a mesa na Flipelô, a escritora anunciou seu novo livro, Quando, que será lançado ainda neste mês. A obra aborda a história de uma mãe que denuncia o próprio filho à polícia, escrita em um período de três lutos: a morte de sua mãe, de seu psicanalista e de sua sócia.
"A maternidade é uma coisa que está muito presente nos meus livros", disse, explicando que a família é um lugar fundante na formação da visão de mundo. O livro se passa em 1986, período de retorno das eleições diretas no Brasil, com heranças da ditadura ainda presentes.
A décima edição da Flipelô começou na última quarta-feira (5) e termina neste domingo. A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador oficial de mobilidade do evento.
Perguntas Frequentes
Como as redes sociais influenciam o interesse por livros?
Segundo Carla Madeira, as redes sociais e clubes de leitura permitem que as pessoas conversem sobre o que leem, concordem, discordem e troquem informações, o que amplia o interesse pela leitura.
Qual é o novo livro de Carla Madeira?
O novo livro se chama Quando e será lançado ainda neste mês. A obra aborda a história de uma mãe que denuncia o próprio filho à polícia.
O brasileiro lê pouco?
Segundo a escritora, apesar do maior interesse, o brasileiro ainda lê pouco. A pesquisa Retratos da Leitura 2024 mostra que 53% da população não leu nem parte de um livro nos três meses anteriores.
O que é a Flipelô?
A Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) é um evento literário que ocorre em Salvador, na Bahia. A décima edição aconteceu entre os dias 5 e 8 de agosto de 2026.