Exposição O Tempo das Plantas: troca cultural e desaceleração na arte
A exposição O Tempo das Plantas convida o público a desacelerar e trocar experiências culturais por meio da arte botânica. Com curadoria que mescla ilustração científica e instalações contemporâneas, a mostra ocupa o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro até fevereiro de 2025.
Exposição O Tempo das Plantas propõe troca cultural e desaceleração
A exposição O Tempo das Plantas, em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), convida o público a desacelerar e trocar experiências culturais por meio da arte botânica. Com curadoria que mescla ilustração científica e instalações contemporâneas, a mostra ocupa o espaço até fevereiro de 2025.
O visitante encontra desde aquarelas do século XIX até vídeos e esculturas interativas. A proposta é clara: deixar de lado o ritmo acelerado das cidades e mergulhar no tempo das plantas, um convite à contemplação e à troca cultural entre artistas de diferentes origens.
A arte botânica como ponte cultural
A exposição reúne mais de 80 obras de artistas brasileiros e estrangeiros, entre eles nomes como a ilustradora Margaret Mee e o artista contemporâneo Ernesto Neto. A curadoria destaca a ilustração científica como gênero artístico, mostrando como o desenho de plantas foi, por séculos, a principal ferramenta de documentação da flora.
Margaret Mee, por exemplo, passou décadas registrando a Amazônia em aquarelas que hoje são referência mundial. Seu traço preciso e ao mesmo tempo poético dialoga com as instalações de Neto, que usam tecidos e especiarias para recriar ambientes naturais. Essa troca entre passado e presente é o coração da mostra.
Desaceleração: um convite ao olhar lento
O título da exposição não é gratuito. O tempo das plantas é o tempo da fotossíntese, do crescimento lento, das estações. Em um mundo que corre, a mostra propõe uma pausa. O visitante é incentivado a sentar, observar, desenhar. Há até uma sala com almofadas e cadernos para quem quiser registrar o que vê.
Essa experiência remete às antigas bancas de jornais, onde se folheava uma revista de quadrinhos ou um livro de arte sem pressa. O traço também conta a história, e aqui cada pincelada ou linha de nanquim carrega décadas de conhecimento botânico e cultural.
Curadoria e espaço expositivo
A curadoria é assinada por Clarissa Diniz e Paulo Herkenhoff, que organizaram as obras em núcleos temáticos: "Raízes", "Folhagens", "Flores" e "Sementes". Cada núcleo ocupa uma sala do MAM Rio, com iluminação natural e paredes claras que destacam os tons verdes e terrosos das obras.
A mostra ocupa o segundo andar do museu, com 1.200 metros quadrados de área expositiva. O espaço foi pensado para que o visitante percorra as salas em um fluxo orgânico, sem pressa, como em um jardim.
Obras imperdíveis: do clássico ao contemporâneo
Entre as obras que mais chamam a atenção está a instalação "Jardim de Pedras", de Adriana Varejão, que transforma o chão da sala em um mosaico de pedras e plantas artificiais. Ao lado, as aquarelas de Margaret Mee mostram bromélias e orquídeas com detalhes que só um olhar treinado poderia captar.
Outro destaque é a série "Herbário Urbano", do artista paulista Jarbas Lopes, que cola folhas secas sobre fotografias de paisagens urbanas. O contraste entre o natural e o construído provoca reflexão sobre o crescimento das cidades e o desaparecimento de áreas verdes.
Conexões com a cultura pop clássica
Para quem cresceu lendo gibis de Tarzan ou assistindo a filmes de aventura na selva, a exposição traz uma nostalgia construtiva. As ilustrações botânicas lembram os cenários desenhados por artistas como Burne Hogarth e Hal Foster, que usavam referências da natureza para dar verossimilhança às suas histórias.
O traço também conta a história: a precisão das aquarelas de Mee ecoa o rigor dos desenhistas de quadrinhos clássicos. É uma ponte entre a arte erudita e a cultura pop, mostrando que ambas bebem da mesma fonte: a observação atenta do mundo natural.
Programação paralela e atividades educativas
A exposição oferece uma programação paralela com oficinas de desenho botânico, palestras sobre ilustração científica e visitas guiadas com educadores. As atividades são gratuitas e ocorrem aos sábados e domingos. A ideia é que o público não apenas veja, mas também crie, troque experiências e aprenda.
Há ainda um ciclo de debates sobre arte e ecologia, com participação de artistas, curadores e biólogos. O próximo encontro está marcado para 15 de dezembro, com o tema "O tempo das plantas na era digital".
Como visitar
A exposição O Tempo das Plantas fica em cartaz no MAM Rio até 23 de fevereiro de 2025. O museu funciona de terça a domingo, das 10h às 18h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Crianças até 5 anos e idosos acima de 60 não pagam.
O MAM Rio está localizado no Parque do Flamengo, na Avenida Infante Dom Henrique, 85. A estação de metrô mais próxima é a do Flamengo, a 15 minutos a pé.
Perguntas Frequentes
Qual é o tema central da exposição O Tempo das Plantas?
O tema central é a troca cultural e a desaceleração, usando a arte botânica como fio condutor. A mostra convida o visitante a observar o ritmo lento da natureza e refletir sobre a relação entre arte e ecologia.
Quem são os artistas participantes?
A exposição reúne mais de 80 obras de artistas como Margaret Mee, Ernesto Neto, Adriana Varejão e Jarbas Lopes, entre outros nomes brasileiros e estrangeiros.
Até quando a exposição fica em cartaz?
A mostra fica em cartaz até 23 de fevereiro de 2025, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Há atividades educativas na exposição?
Sim, a programação inclui oficinas de desenho botânico, palestras e visitas guiadas gratuitas aos sábados e domingos.
Qual o valor do ingresso?
Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Crianças até 5 anos e idosos acima de 60 não pagam.
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